over and over and over and over again
E é óbvio que últimas quimeras morram discretamente. Não se supõe que elas existam. Ou até que tenham existido conforme as imaginamos.
"um dia a massa ainda comerá do meu fino biscoito" - f. pessoa
E é óbvio que últimas quimeras morram discretamente. Não se supõe que elas existam. Ou até que tenham existido conforme as imaginamos.
Collectio: coletar + falar. Coleção é algo auto-explicável, justifica-se pelo interesse objetivo no assunto, com o respaldo do prazer da posse. Eu tenho, é meu, gosto disso, está sob meus cuidados. Acredito que o grande prazer do colecionador é ouvir o elogio dos outros. Quando o prazer solitário desperta interesse e fascinação ganhando assim um sentido a mais: gosta-se da pessoa também pelos gostos dela. O oposto disso explica as coleções secretas, que só se revelam quando pontos-chave da personalidade do outro foram identificados tornando segura a exposição.
Uma amiga ostenta por meses e meses no msn dela:
Semana passada ou retrasada um diplomata brasileiro cometeu a gafe de citar Goebbels para uma descendente de judeus. Infeliz coincidência, apesar de em tempos politicamente corretos ser sempre um risco falar de qualquer coisa nazi. Mas não fosse a ascendência da moça, seria a coisa mais contundente a se falar para um representante do poder.
Ao mesmo tempo que me afeiçoei a história da menina, me incomodou que naturalmente nascesse a responsabilidade pelo seu futuro. Que não será, ela se deu bem no que se propôs e terminou a história destemidamente.
Acordou aos poucos, com olhos recém nascidos curiosos e prudentes em reconhecer onde estava. O mundo era o mesmo de sempre mas como ela havia mudado em sua essência, a recíproca era válida. Ela era ela sem a fome que lhe matava, sem a condição que por tanto tempo restringiu não só sua existência mas também seus sonhos e seu futuro. Não era mais faminta e perdida. O mesmo chão que anteontem era frio e duro, hoje era relva macia a acariciar sua pele. Estava nutrida de vida.
... e as pétalas eram tão perfumadas e suculentas que ela comeu tantas quantas pode, sem se preocupar com as manchas roxas que se acumulavam por todo o vestido branco. O que não sabia é que durante todo seu banquete era observada por uma ou duas criaturinhas verdes curiosas, que escondidas por trás das folhagens tremiam assustadas tamanha era a fúria com que a menina engolia as flores.
Come chocolates, pequena,
Um dos meus filmes preferidos é O Jardim Encantado, no original Secret Garden, baseado no livro da inglesa Frances Hodgson Burnett. Fala sobre a magia invisível das coisas ao nosso redor, aquela que muitas vezes não nos permitimos ver e curiosamente é a mais poderosa em termos de cura e libertação.
A Alice no espelho talvez tenha outro nome. Porque o que há no espelho mal existe, é mero reflexo, menos real que uma foto. A terceira dimensão que nunca veremos. Será esse o grande mistério? Nunca ouviremos nossa voz como ela realmente é, as gravações não são fiéis como os ouvidos. Nunca veremos nosso rosto em 3d, somos seres sem cabeça, e o que o espelho oferece é 2d e com os lados trocados. Talvez essa gota de mistério, esse detalhe pequeno mas importante, simbolize que nunca nos conheceremos completamente. Não precisamos disso para viver.
Hoje acordei em sonho. Como se o mundo todo, inclusive meu corpo adormecido, estivesse congelado nos segundos que antecedem o dia. A orla vazia e tensa aguardando a onda que em estrondo e espuma acaricia a areia espalhando-a de modo que nunca mais se reunirá. E isso tudo é necessário, triste e feliz.
Começando com a maravilhosa Anaïs Nin:
Ontem estive em Kabul. Confuso e barulhento, luzes amarelas, e pessoas idem — sendo que as qualidades e defeitos têm a mesma origem e se diferem apenas na reação que causam nas pessoas. Então se por muito tempo não entendi os que não gostavam de chocolates, hoje como muito mais pimenta. Não que eu não gostasse delas, apenas não me deixava gostar. O cultivo de um prazer sem preterir outro forma uma bela coleção hedonista onde o valor, a importância, não faz sentido. É importante ser. Saber é apenas interessante, não é vital. Saber, sabor.
Furei. Um mês de recesso entre os posts secretos. O divertido é que achei que tinha mandado message in a bottle mas essas coisas de logs e tags e confirmações e tal, e nada aconteceu. Assim, tinha certeza de ter deixado o link no lilás mas a real é que deixei em branco.
a vantagem de ter um blog ex-secreto é poder deixar recado.
Aproveitando essa temporada freudiana de buscar lá atrás as pedras que ainda hoje estão no caminho – e não são calçamento – lá vou eu e minha cultura de almanaque empilhar palavras de um jeito que me façam sentido. Tempos introspectivos, vertiginosos, irritantemente pleonásticos.
Eu sou de longos ensaios, por conta de um perfeccionismo que não assumo para mim mesmo por pudor inconsciente em parecer arrogante. Porque por perfeccionista entendemos o que faz perfeito, e esquecemos que perfeição é inatingível... logo... perfeccionista é o que tenta atingir o alvo bem no meio. Quantos conseguem?
Lá pelo meio do ginásio o professor de história contou o fundo de verdade em Mogli e Tarzan. Crianças perdidas na mata que adotadas por bichos, viravam bichos. Algo perto do grande hit do Augusto dos Anjos, que era quase uma oração da minha adolescência cercada de sandmans, nietzsches, e uma angústia eterna que só terminaria quando os hormônios todos quase terminaram comigo.
Ia começar recapitulando, comentando, requentando. Mas já tá bom voltar a escrever, o máximo de ordem que consegui por foi deletar os outros 2 blogs e insistir nesse já que essa semana promete ser de tédio mortal no trabalho. The office.
... um ano depois, acho esse blog perdido. Fiz 30 outro dia, também com uma festinha surpresa alla flash mob: email no dia, quem leu veio. Umas poucas e boas (ótimas na verdade) pessoas lembraram mesmo sem ajuda do orkut, o que me deixou genuinamente feliz e um pouco preocupado com essa felicidade solta.
Domingo retrasado fiz 29. (Sem direito ao blablabla de saturno porque meu ascendente é igual ao meu signo solar, sigo canceriano). Desavisei o orkut meeeeses atrás pra evitar elos perdidos mandando mensagens prontas e me obrigando a respondê-las. E viajei no dia.
Sábado teve show do CSS, no ex-Superclub e ex mil outros lugares que atualmente atende pelo nome bizarro de Casa Belfiore. Gosto de lá, é amplo e meio fora de mão, então algum conforto é garantido, acima da média dos lugares. Acho que a última vez que fui lá tinha sido em 2004, numa festa de breakcore, mashup, coisa complicada...
Não consegui retomar esse hobby de escrever no blog. A epidemia de reality shows me contagia, embora não consiguisse assistir assiduamente nem o Idol. Aliás adorei quando acabou para não me culpar mais de ter perdido algum episódio importantíssimo como todos são.
Um brasileiro está em órbita. A Luiza vai fazer turnê nos EUA e Canadá e... eu vou casar.
A vida em caixas. E no sábado, fool's day, é a mudança. Fode um pouco ficar sem geladeira e fogão por uma semana... Mas a vaporeta e o microondas salvam vidas. Principalmente a vaporeta.
Não é cuspir no prato que comi nos últimos 30 meses maaaaaaaaaas... agora que já achei o outro apê e tenho contato com outro prédio, com suas regras e funcionários, me veio a dimensão do quanto o Copan é difícil. Talvez eu não pudesse perceber antes, mas agora que já estou com um pé fora, vem toda aquela indignação.
Então, desde a mudança pro digníssimo e-difícil (que em todos seus impressos ostenta "inscrito no guinness book") pedimos esfihas e afins no Boulevard Ipiranga. É um desses Habibs de segunda, mas a qualidade é a mesma do Habibs, leia-se aceitável.