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"um dia a massa ainda comerá do meu fino biscoito" - f. pessoa

30.3.06

Regressiva 3 - O Casamento

Um brasileiro está em órbita. A Luiza vai fazer turnê nos EUA e Canadá e... eu vou casar.

Semana que vem tô casando. Até agora eu me sentia revendo aqueles filmes quase bobos mas divertidos sobre famílias e festas e coisa e tal. Hoje tive um abalo sísmico na cabeça e no estômago, haja respiração pra segurar essa ansiedad. É uma experiência de entrega, é preciso relaxar e.... esperar 1 semana pro terremoto passar e chegar na Bahia. Lá passo a preencher fichas de hotel com um (x) no "casado". Estado civil? Casado.

Nunca estive tão ansioso. Uma semaninha só. Sei que não é normal ainda não ter a roupa uma semana antes, mas fazer o quê?... Pelo menos a tattoo tá cicatrizada e não vai derreter no mar da Bahia. Os 3 tubos de bepantol foram bem gastos.

29.3.06

Regressiva 2 - Mudança

A vida em caixas. E no sábado, fool's day, é a mudança. Fode um pouco ficar sem geladeira e fogão por uma semana... Mas a vaporeta e o microondas salvam vidas. Principalmente a vaporeta.

Chega uma hora também que o foda-se é tão grande que a inércia da vida é confortável. Pensar, digerir, agir, reagir a tudo o tempo todo exige uma integridade que não tenho hoje. Então, como se fosse tempestade (e um bom pedaço é) espero que as urgências passem. Algumas o tempo leva a cabo e depois vê-se o que faz com os resultados. Na verdade a trégua que será a lua-de-mel/férias vai esfriar tudo... Vai ser muito bom.

Hoje aniversário da querida Luiza... 26. O que faz me sentir com 46 acho, não pelo tempo em si mas porque hoje me sinto uma ferrugem. 64 acho. When I'm 64. Às vezes a velhice me parece um exílio muito gostoso. Espero poder envelhecer bem.

Regressiva 1 - E-difícil Copan

Não é cuspir no prato que comi nos últimos 30 meses maaaaaaaaaas... agora que já achei o outro apê e tenho contato com outro prédio, com suas regras e funcionários, me veio a dimensão do quanto o Copan é difícil. Talvez eu não pudesse perceber antes, mas agora que já estou com um pé fora, vem toda aquela indignação.

O prédio é lindo, a vista (de quem mora pra Ipiranga) é impressionante, e os 220m² vão deixar saudades.

A Lei
Mas isso de ser uma cidade de 3.500 ou 5.000 pessoas governada pelo prefeito que era do SNI (coisa que até o Jô desconversou na entrevista), complica muita coisa. Não sei se poderia ser de outro jeito, porque esse prefeito ao longo dos 10 anos de reeleições recuperou o Copan, que estava entregue ao sexo, drogas e ao crentes que compraram o falecido Cine Copan. Diz que o prédio era um caos. Agora temos ordem mas a burrocracia pesa. É como morar num prédio comercial: horas, multas, regras, tudo muito pouco flexível e as vezes inexplicável. E os funcionários fazem o que chefe manda, qual outra alternativa?

Para nossa segurança, instalaram câmeras por todos os lados. E haverão outras. Daí alguém que trabalha no prédio comenta que há policiais à paisana por ali.... Bacana... Um alívio.

O Som
Mas o ranço da ditadura pode contra muitas coisas, algumas injustas, mas não pode contra o Love Story. Depois que o dono, que é diplomata, comprou 2 apartamentos grandes (ou seja, muitos metros quadrados de voto nas assembléias) o prédio o deixou em paz. Não é o som da casa em si, mas dos freqüentadores ou dos visitantes da porta. Porque se chegasse e entrasse tava tudo lindo. O pobrema é a testosterona escorrendo pelos escapamentos, subwoofers, buzinas de ar...

A prostituição é uma realidade, espero que cada vez melhor pras profissionais. Mas a ignorância dos clientes é um mal. Na verdade sou contra a putaria na rua. Não sei o tipo de transe que leva fulano a sair zuando de noite como se a cidade fosse a casa dele. O Serra podia arrecadar né? Fazendo valer a lei que não pegou sobre decibéis de sons e motores. Podia né, já que ele gosta tanto de multas.

Aceita ovus?

Então, desde a mudança pro digníssimo e-difícil (que em todos seus impressos ostenta "inscrito no guinness book") pedimos esfihas e afins no Boulevard Ipiranga. É um desses Habibs de segunda, mas a qualidade é a mesma do Habibs, leia-se aceitável.

Mas o atendimento é cruel. A moça do telefone pira tanto que no último pedido, no lugar do homus (alô... isso homus... a pasta de grão de bico...) veio.... Um ovus! Um ovus frito, podre, da cor de um tênis velho.

Chocou tanto que resolvi voltar a escrever.