blablabla

"um dia a massa ainda comerá do meu fino biscoito" - f. pessoa

29.1.08

kaspar hauser e yo la tengo

Lá pelo meio do ginásio o professor de história contou o fundo de verdade em Mogli e Tarzan. Crianças perdidas na mata que adotadas por bichos, viravam bichos. Algo perto do grande hit do Augusto dos Anjos, que era quase uma oração da minha adolescência cercada de sandmans, nietzsches, e uma angústia eterna que só terminaria quando os hormônios todos quase terminaram comigo.

O homem que nesta terra miserável vive, entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera.

Vírgulas por minha conta. Depois assisti Kaspar Hauser, que é verídico, e li sobre vários humanos extraviados na selva, ou seqüestrados por terroristas, exilados por governos...

Melhor não chegar onde quero. Melhor perder o fio da meada e brincar com o novelo como filhote de bicho. A pergunta é: o quanto Midas somos? O quanto a nossa capacidade de adaptação vai contra o instinto de preservação?

Menino lobo, homo homini lupus. E a sociedade sem a qual não vivemos e com a qual adoecemos, principalmente nas maravilhosas e insubstituíveis metrópoles.

Ah... e Stockholm Syndrome. Música que proibí faz tempo, de tanto gostar.

7.1.08

o post de cada 6 meses!

Ia começar recapitulando, comentando, requentando. Mas já tá bom voltar a escrever, o máximo de ordem que consegui por foi deletar os outros 2 blogs e insistir nesse já que essa semana promete ser de tédio mortal no trabalho. The office.

E porque não consegui simplesmente jogar fora, embora devesse, salvei o texto abaixo do que seria um livro se eu me visse como autor e então soubesse escrever. A idéia até era boa.

My pleasure
Não sei se foi um erro permear minha vida com prazeres intensos. Não existe frigidez ou tédio, eu viveria tudo de novo. Qualquer lembrança de bons momentos já recorda meu corpo que dentro dele corre sangue quente a esquentar a carne toda.

Eu esperava um efeito acumulativo para que minha fome não fosse eterna. Preciso sempre comer. Só paro quando me sacio, e essa satisfação vem depois de todos desejos serem ouvidos, todos excessos cometidos. Quando a vida não é assim fica chata.

Não é vicio. É muito estúpido me reduzir a um vício. Não sou nocivo, busco a harmonia respeitando meus desejos. Quanto menos ouço meu corpo (e é óbvio que o cérebro é parte do corpo, faça-me o favor) mais vou desbotando, definhando, deprimindo.

Preciso de sexo em quantidade e qualidade. Sou movido a amores, orgasmos, pernas entrelaçadas, mordidas, pele, mucosas, suor, gemidos.

E tenho fome.

xxx

Não imaginei que uma coisinha tão dócil e pequena me fizesse mal. Claro que poderia fazer, mas eu saberia me proteger sem muito esforço. Eu era despreocupadamente feliz, aceitava convites, sorria, fazia brincadeiras. Era um alvo fácil para quem visse na minha alegria a fragilidade sem fim de um coração aberto. Fui vítima de uma inocência que de tão infantil é inaceitável.

Minha nudez era completa: roupas, discursos, etiquetas. Para minha coisinha dócil e pequena — que no auge da loucura personifiquei como Amor — eu era um livro aberto.

Eu achava que era uma troca mas só depois de não receber nada entendi que tinha me vendido barato demais. Ganhei deliciosas memórias que figuram entre as poucas que pagaria para perdê-las. Não é possível. É a minha vida, ela tem de me descer garganta abaixo todos os dias.