Vida em Veneza
Ontem estive em Kabul. Confuso e barulhento, luzes amarelas, e pessoas idem — sendo que as qualidades e defeitos têm a mesma origem e se diferem apenas na reação que causam nas pessoas. Então se por muito tempo não entendi os que não gostavam de chocolates, hoje como muito mais pimenta. Não que eu não gostasse delas, apenas não me deixava gostar. O cultivo de um prazer sem preterir outro forma uma bela coleção hedonista onde o valor, a importância, não faz sentido. É importante ser. Saber é apenas interessante, não é vital. Saber, sabor.
Fiquei o tempo que precisei ficar em Kabul e fui para um porto seguro, que algum tempo depois me dei conta que era Veneza. Como é linda Veneza. Absorvi aquela riqueza de detalhes, aquele sonho de realidade, cores e texturas que nunca havia visto. Tudo muito vivo e brilhante: a água turquesa e densa, os prédios rebuscados em diferentes tons de terra. Fomos muito felizes em Veneza, aproveitamos o que de bom nos podia ser oferecido e descobrimos caminhos novos, sem que isso não nos custasse nada além de bons sonhos.
De volta a São Paulo, me abrigo do frio e fujo da chuva. Os conheço bem e respeito sua soberania, sei como me proteger. Me anima também que de noite nós todos vamos finalmente para Versailles.
E semana que vem uma viagem mais longa, na verdade uma expedição. Para nossa querida Índia, paraíso na Terra.
