pá de cal
Ao mesmo tempo que me afeiçoei a história da menina, me incomodou que naturalmente nascesse a responsabilidade pelo seu futuro. Que não será, ela se deu bem no que se propôs e terminou a história destemidamente.
Ter medo como última palavra realmente fechou o assunto. Eu não saberia falar dos medos dela, como se davam e eram superados ou não. Teria de sair da fantasia e buscar reforços reais como as palavras do Roosevelt only thing we have to fear, it´s fear itself. Teria de florear com o amor e medo, de Casimiro de Abreu. E por fim autoconhecimentaria com pesquisa dos outros.
Cultura do medo. Cultura nos dois sentidos, naquele da música do Arnaldo (Antunes, que inspirou recente propaganda do Boticário, obviamente escrita por um publiciotário, e não por um poeta) e no outro sentido mais pop.
Mas a matéria da Folha sintetiza muita coisa importante que nunca consigo conversar, no meu complexo de fool on the hill. A respeito de dignidade, banalização, vale-tudo.
