true happiness
Uma amiga ostenta por meses e meses no msn dela:
Felicidade só é real quando compartilhada.
Nunca vou perguntar o porquê, acho uma frase perturbadora. Porque numa cajadada só questiona a felicidade e desmerece o indivíduo. Como se a autenticação da felicidade fosse expedida no contato com o outro, então não haveriam prazeres solitários de nenhuma espécie. Ou seriam reles prazeres, incapazes de alcançar o status de alegria, felicidade. Entendo que como mãe e esposa ela se veja muito mais coletiva do que singular, mas... a felicidade tem que estar em nós. Se quisermos tocá-la, ela tem que estar em nós. Se o gozo está em buscá-la, aí pode estar em qualquer lugar. Esperança, de Vicente de Carvalho:
Só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência, resumida,
que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
árvore milagrosa que sonhamos,
toda arriada de dourados pomos
existe sim; mas nós não a encontramos.
Porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos.
Ou seja... melhor não ser acreditar que felicidade é o ouro olímpico. A menos que você seja atleta e que tenha se preparado com rigor por alguns bons anos, cumpra as provas, vença as competições, e mantenha mente e corpo firmes no objetivo da vitória. E claro, que seu oponente não seja invencível.
Felicidade só é real... quando se realiza.
